A experiência fala alto. No palco em frente ao microfone, na noite do Leilão oficial e para a centenas de pessoas, que o James Lisboa mostra todo seu conhecimento sobre obras de arte, já que traz no seu currículo mais de 2.000 obras de arte leiloadas entres Pinturas, Desenhos, Esculturas, Moveis e algumas gravuras. "Cada obra tem sua história, eu mostro a essência da obra o que ela retrata e o que representa para sociedade, saber sobre a história do artista, seus conceitos técnicas de pintura a suas melhores fases, são informações preciosas para levar a Leilão e transparecer a importância da obra. Assim o cliente consegue compreender o seu valor e decidir se deve ou não adquirir a obra."
Obras de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Antonio Gomide, Ismael Nery, Flavio de Carvalho, Candido Portinari, Cicero Dias, Mira Schendel, Leon Ferrari, Vik Muniz. Para mais informações clique aqui ...
A São Paulo de 1917 ainda era muito provinciana para entender o que significava para a arte brasileira aquela exposição que acontecia na Rua Libero Badaró, 111. Ali, uma pintora que tentava esconder uma atrofia no braço e na mão direita, chamada Anita Malfatti, ousava mostrar para uma sociedade perplexa a mais pura arte expressionista. Somente cinco anos depois viria a assimilação com o novo durante a Semana de Arte Moderna do Teatro Municipal, onde estavam 22 obras suas. No entanto, as críticas que recebeu e a insatisfação com sua própria arte a perseguiriam por quase toda a vida.
A Amiga - Anita Malfatti
A pressão da família, que não via futuro promissor para uma moça solteira deficiente e que não dava sinais de que poderia se tornar uma boa professora de arte, fez de Anita uma artista de muitas fases, inquieta, insegura e sempre incompreendida. Essa busca constante por se expressar livremente com os pincéis permeia a Retrospectiva Anita Malfatti – 120 anos, que estréia nacionalmente no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, de 22 de fevereiro a 25 de abril.
“Sem dúvida ela foi a pioneira do modernismo no Brasil. A exposição de 1917 inspirou o movimento. Fala-se em Lasar Segall ou Belmiro de Almeida e Visconti como percussores, mas nenhum deles causou tanta polêmica. Ela teve repercussão. E quando a lenda ultrapassa o fato, publica-se a lenda”, afirma Luzia Portinari Greggio, que assina a curadoria da exposição.
Sobrinha de Cândido Portinari e sempre cercada por livros e quadros, seu interesse pela História e pela Filosofia da arte a levou até a vida e obra de Anita, o que lhe rendeu um prêmio de Estímulo de Curta-metragem da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2001, pelo roteiro do documentário “Anita Malfatti”. A pesquisa sobre a vida e obra da pintora também resultou no livro Anita Malfatti – tomei a liberdade de pintar a meu modo, em 2007. E agora, a exposição comemorativa.
Greggio reuniu 120 obras de diversos museus e de coleções particulares que mostram inúmeras e diferentes Anitas. A primeira delas (de 1909 a 1914) é uma Anita naturalista-impressionista. Inclui o período em que ainda assinava como Babynha, como em seu primeiro quadro (Burrinho correndo – que estará exposto no CCBB), até o seu retorno de sua primeira viagem de estudos, quando esteve na Alemanha, onde o expressionismo explodia. Foi quando organizou sua primeira exposição individual em 1914. Essa fase reúne também algumas preciosidades como Meu irmão Alexandre e Mulher de vestido vermelho.
A segunda Anita, mostra sua fase mais esplendorosa (1915 -1922). É quando vai para os Estados Unidos e se entrega ao expressionismo. “A trajetória de Anita é singular. Todo mundo ia estudar na França. Ela foi para Alemanha e depois para os Estados Unidos, onde tinha parentes. Foi lá onde ela desabrochou”, lembra a curadora. A pintora rompe com todas as regras acadêmicas tão apreciadas pelos seus familiares, como o tio Jorge Krug, que financiará seus estudos no exterior, e a mãe, pintora clássica, Betty Krug, presença constante, rígida e autoritária na sua vida.
O homem amarelo - Anita Malfatti
Exposição de 17
Mesmo com o escrachado desapontamento dos parentes com a produção artística que trazia na bagagem em seu retorno ao Brasil, Anita faz a exposição de 1917, onde apresenta obras que hoje são consideradas as mais significativas de seu acervo como A boba, A amiga, O farol, A onda, O homem amarelo, Ventania. Também é desta época o primeiro nu cubista brasileiro. “Ela tinha noção que a exposição de 17 ia ser um escândalo. Tanto que resolveu deixar essa obra (Nu cubista I) de fora”, conta Greggio, que incluiu o quadro na mostra.
Seus mais profundos receios recebem contornos dramáticos quando uma crítica de Monteiro Lobato, publicada no jornal O Estado de São Paulo, com o título de A propósito de exposição Malfatti, provoca um efeito devastador na sua exposição. Seus quadros foram devolvidos, outros destruídos. O único a levantar em seu favor foi Oswald de Andrade, o que a fez ser uma inspiração para um grupo de artistas ansiosos em promover uma revolução na arte brasileira.
“Foi ela. Foram seus quadros que nos deram essa primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras. Pelo menos pra mim”, chegou a dizer Mario de Andrade em relação a Anita.
Retorno à ordem
Depois da Semana de Arte Moderna de 1922, Anita, que parecia ter encontrado seu lugar no famoso Grupo dos Cinco, mas parte, em agosto de 1923, para Paris, em nova viagem de estudos, desta vez financiada pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo. Surge neste período, que dura até o final dos anos 20, uma nova face da pintora. “É o chamado “retorno à ordem”, ocorrido no pós-Segunda Guerra. Anita sofre influências de Matisse, Bonnard, começa a pintar interior-exterior, nus, temas recorrentes da época”, explica a curadora. São representativos dessa época os quadros La chambre bleue, Chinesa e Interior de Mônaco, que na exposição estará ao lado de seus estudos I e 2.
Ao retornar ao Brasil, no final de 1928, apesar do abandono à irreverência que marcou sua fase nos EUA, ela faz uma nova exposição sem grandes resultados financeiros e decide, a partir daí, a adotar uma postura ainda menos polêmica. Surge uma Anita muito mais acadêmica. Alguns acreditam que por nunca ter se recuperado das críticas feitas por Lobato ao seu trabalho. A pintora volta a lecionar e desenvolve séries de florais e retratos — temas mais comerciais na época. “Todo movimento precisa ter uma vítima e um inimigo. Anita foi a vítima do modernismo brasileiro e o Lobato o vilão. Mas Anita tinha um relacionamento profissional com Lobato, que manteve depois da crítica. Mas de fato ela buscou, no seu retorno de Paris, a sobrevivência”, explica Greggio.
Pintando a seu modo
O academicismo não agradou os companheiros modernistas. Ela chega a ter seu quadro Época da Colonização (1939) recusado no Salão Oficial de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1940, o que provoca o rompimento definitivo com Mario de Andrade, a quem Anita atribuiu a recusa. O amigo, desde sua volta de Paris, cobrava de Anita um retorno ao seu estilo mais contundente. O quadro também é um dos destaques da mostra de Brasília.
Um ano após a morte de sua mãe, em 1955, Anita é convidada a expor no MASP e se mostra uma artista mais popular, exibindo suas últimas produções (1940-1950) – obras que refletiam os costumes e as belezas do interior brasileiro: Batizado na roça, Colheita de algodão, Casamento na roça e O baile são algumas de suas obras que expressam essa fase. “Tomei a liberdade de pintar ao meu modo”, era o nome da exposição e uma indicação de que as críticas não lhe importavam mais.
Cada vez mais recolhida em sua chácara em Diadema, Anita jamais parou de pintar e no final da vida dedicou-se aos temas religiosos. “A comemoração desses 120 anos de Anita vem para homenagear a ousadia da mulher em buscar seu sonho, em se encontrar. A percebo como um ícone injustiçado. Os contemporâneos, por conta de ciúmes, vaidade, talvez, atrapalham a avaliação na época de um talento como Anita. É por isso que muitos gênios são reavaliados e exaltados com o passar do tempo. Foi o caso dela.”
Exposição comemora 50 anos de carreira de Yutaka Toyota
Inaugura em São Paulo a exposição “Espaço Invisível” nesta sexta-feira (11), a Cultura Inglesa de São Paulo (região oeste paulistana) , que comemora meio século de carreira do artista nipo-brasileiro Yutaka Toyota.
Escultor e pintor, Toyota –que assina mais de cem monumentos espalhados pelo Brasil e pelo Japão– apresenta 25 trabalhos criados recentemente. A partir deles, contempla as múltiplas dimensões do universo, permitindo novas sensações e a visão do que até então era invisível.
Durante a temporada no espaço, que termina em 15 de janeiro, acontece também o lançamento da biografia do artista, escrita pela pintora e doutora em História da Arte pela Sorbonne, Sonia Prieto.
Edifício Cultural Inglesa – Centro Brasileiro Britânico – rua Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3095-4466. 11/12 a 15/01/2010. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb., dom. e fer.: 10h às 16h. Grátis. Classificação etária: livre.
Vik Muniz | Obra Completa 1987-2009 – catálogo raisonné
VIK MUNIZ, EDITORA CAPIVARA E CREDIT SUISSE HEDGING-GRIFFO, CONVIDAM PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO
RIO DE JANEIRO
16 de dezembro às 19h na Livraria da Travessa Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – 2º andar – Loja 205A – Leblon
SÃO PAULO
17 de dezembro às 19h na Livraria da Vila Shopping Cidade Jardim
Pista Local da Marginal Pinheiros, entre as pontes Cidade Jardim e Morumbi
O volume traz a obra completa de Vik Muniz nos primeiros 22 anos de sua carreira, de 1987 a 2009. Neste catálogo, o leitor encontrará quase 1200 obras, que representam mais de 1600 imagens, muitas reproduzidas em página inteira, permitindo um contato com os materiais usados por Vik, tão importantes no impacto de seus trabalhos.
Yolanda Mohalyi - MÚSICOS - nanquim sobre papel - 73,5x49 cm - 1955
Yolanda Mohalyi – No tempo das bienais é uma releitura do trabalho da artista, que nasceu em Kolozsvar em 1909 e morreu em São Paulo em 1978. Com 95 obras, entre desenhos, aquarelas, guaches, gravuras, a mostra reúne dois importantes momentos de sua expressão artística: o Figurativo (décadas de 1930, 40, 50) e a Abstração (décadas de 1960,70), e exibe, de forma inédita, dois grandes painéis compostos por folhas de papel pintadas a guache. Com curadoria de Maria Alice Milliet, critica e historiadora de arte, diretora da Fundação José e Paulina Nemirovsky. De 05 de dezembro de 2009 a 21 de fevereiro de 2010.
De 05/12 a 21/02 Ter, Qua, Qui, Sex, Sab e Dom Horário: das 10h às 18h
Preço: R$6,00 e R$3,00 (meia) – Grátis aos sábados.
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça. da Luz – 02 – Luz
Fone: (11) 3324-1000
Peço permissão para compartilhar com você um relato sobre uma das ações do Projeto Portinari das quais mais nos orgulhamos, com a certeza de que ela o tocará como cidadão(ã) e como pessoa humana:
Caso tenha você tempo e interesse, leia o breve resumo abaixo (histórico), que explica a razão de ser deste blog, do qual extraimos algumas imagens, reproduzidas ao final.
Agradecendo o seu tempo e sua atenção, receba o meu mais
Cordial abraço,
João Candido Portinari
Diretor-Geral
Projeto Portinari
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio
Rua Marquês São Vicente 225 Gávea
22451-900 Rio de Janeiro – RJ
Brasil
Telefaxes: 55-21-3527-1439/1440/1441
email: portinari@portinari.org.br http://www.portinari.org.br
Celular: 55-21-9474-1007
Histórico:
Desde 1997 o Projeto Portinari vem desenvolvendo atividades de arte-educação e inclusão social, levando a obra de Portinari a segmentos do público brasileiro os mais desfavorecidos com respeito ao acesso à arte e à cultura de nosso país. A premissa que norteia este programa é a de que a obra de Portinari está toda ela permeada de valores. Valores humanos, valores sociais. Acreditamos que assim ela pode ser um poderoso instrumento de transformação social, inspirando sentimentos de cidadania, de justiça social, de não-violência, de fraternidade, espírito comunitário e respeito pelo sagrado da vida. A partir desta premissa elaboramos uma ação fundamentada numa exposição de réplicas digitais das obras originais, acompanhada de um programa pedagógico, elaborado por educadores, visando estimular no público, e principalmente nas crianças e jovens — alvo preferencial do programa — uma reflexão crítica sobre a realidade brasileira, e sobre os valores inspirados no legado do pintor.
Durante mais de uma década percorremos todos os Estados brasileiros, sem exceção, registrando em livro a visita de mais de 500 mil crianças. Escolas, Centros de Cultura, Hospitais, Presídios, etc., foram assim visitados pelo programa.
Um braço destas ações foi chamado “Portinari nos Rios Brasileiros”, tendo como alvo as comunidades ribeirinhas. O primeiro momento foi no Pantanal do Mato Grosso do Sul, quando montamos a exposição no convés superior de uma chalana da Polícia Florestal, subindo 1.200 km do Rio Paraguai, de Porto Murtinho a Corumbá, parando nos povoados das margens brasileira e paraguaia para receber as crianças e o povo ribeirinho. Veja no blog o indiozinho pantaneiro, surpreso ao reconhecer-se na tela pintada por Portinari…
Sempre sonhamos em levar o programa para a Amazônia. Este sonho acaba de tornar-se realidade, por meio de uma parceria com a Marinha do Brasil. A Marinha percorre o Amazonas e seus afluentes dando assistência médico-hospitalar, odontológica e de cidadania às populações ribeirinhas, por meio de três navios. O Projeto Portinari foi honrado com a confiança da Marinha do Brasil, na pessoa do Almirante Sávio, Chefe do Departamento de Comunicação Social da Marinha e, no dia 10 de novembro passado, a Professora Suely Avellar, Coordenadora de nosso Núcleo de Arte-Educação, embarcou a bordo do navio NasHDoutorMontenegro, percorrendo as comunidades ribeirinhas do Rio Purus.
Suely escreveu um “Diário de Bordo”, sob a forma de um blog. A emoção deste relato, tão singelo, e, ao mesmo tempo, poderoso, foi de tal ordem que não resistimos ao desejo de compartilhá-lo com você, Caro(a) Amigo(a), mesmo correndo o risco de, com este ato, vir a importuná-lo(a). Se este for o caso, pedimos humildes e sinceras desculpas.
Diário de Bordo - Projeto Portinari - Portinari na Amazônia - Blog
Mostra apresenta síntese de sua trajetória dedicada a criações cinéticas no Brasil.
Abraham Palatnik é considerado um pioneiro da arte cinética no Brasil. Antes de fazer suas primeiras máquinas, era apenas pintor, mas desistiu dos pincéis quando, em 1948, no Rio, visitou o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro com o crítico Mário Pedrosa, conhecendo, assim, o trabalho de arte que a doutora Nise da Silveira realizava com doentes mentais. “Fiquei muito impressionado com as pinturas que eles faziam. Quando as comparei com minhas obras, vi que meu subconsciente era muito pobre”, diz Palatnik.
O artista ficou atordoado, queria criar algo novo, e foi Pedrosa que o “acalmou” e o incentivou, dizendo que muito podia ser feito. “De repente me vi cercado de engrenagens, articulações, de uma pesquisa sobre a luz”, afirma o artista. Em 1951, exibiu na primeira Bienal de São Paulo o aparelho Cinecromático, uma caixa em que são projetadas formas coloridas em movimento, obra que ninguém sabia definir naquela ocasião. Desde então, foi uma trajetória sem limite para a experimentação, em técnicas, materiais e objetos cinéticos – e esse dado tão especial relacionado ao artista, agora com 81 anos, é o mote da exposição Ocupação Abraham Palatnik, que o Itaú Cultural inaugura hoje para convidados e amanhã para o público. Com curadoria de Aracy Amaral, convidada de Palatnik para tal tarefa, a exposição é enxuta, uma “síntese”, ela diz, que ressalta a variedade de experimentações e que coloca, além de obras, três vídeos sobre o artista e o contexto das criações de seus trabalhos.
Objeto cinético feito por Palatnik em 1966
A mostra começa com o único óleo sobre tela do conjunto único, também, autorretrato que Palatnik, ascido em Natal, no Rio Grande do Norte, realizou em 1945, em Israel, coincidentemente, concluído no dia em que foi anunciado o fim da segunda Guerra. “Hitler estava acabado e já era esperado o término da guerra”, conta o artista. Depois de seu autorretrato, única obra figurativa, seguem-se na mostra pinturas feitas com barbantes, ripas de madeira cortadas a laser e sobre vidro, duas raras criações em resina poliéster da década de 1970, além, claro, de objetos cinéticos realizados em anos diferentes – pelos quais Palatnik, que vive no rio, está identificado – e um Aparelho Cinecromático que, instalado em uma sala escura, deixa o espectador hipnotizado pelo movimento lento e leve das combinações diversas de formas em tantas tonalidades.
Dar ordem ao movimento é uma das considerações que se faz em relação à obra de Palatnik, “artista anticaos” que, curiosamente, ressalta em suas criações algo de lúdico nos objetos feitos de uma tecnologia simples e inteligente. “Penso nos objetos cinéticos dele como um trabalho de relojoaria, em que os elementos se unem em harmonia”, diz Aracy. “Sempre trabalhei sozinho nos mecanismos e máquinas, fazendo articulações inventadas por necessidades imediatas:e deu certo”, afirma agora Palatnik, que, curiosamente, conta que seu ensejo para a criação de seu primeiro aparelho cinecromático foi a observação da sombra de uma vela em um dia que houve falta de eletricidade.
Abraham Palatnik - W-122 - Acrilico sobre madeira - 86 x 119 cm - 2006
Iniciou-se, assim, uma pesquisa de décadas sobre a luz e o movimento sem deixar de ser, ainda, uma experimentação com a cor – Palatnik “também” é pintor, como diz. Para um artista que se baseou em “princípios estéticos, a vida toda”, ele afirma, chama a atenção que o cinetismo não se dá apenas nas máquinas e aparelhos, mas também nas telas, que são construções, relevos em progressões e ondulações de camadas de ripas de madeira, cartões cortados com estiletes, tela com barbantes ou a pintura de uma geometria leve sobre vidro. “Fui desenvolvendo a técnica adequada para cada material”, afirma Palatnik. Primeiro, como frisa, sua preocupação é o movimento para depois colocar a cor, “último elemento, o mais prazeroso”, diz Aracy.
ABRAHAM PALATNIK – Itaú Cultural
Quando: abertura 02/Dezembro, às 20h;
ter. a sex., das 10h às 21h;
sáb. e dom., das 10h às 19h;
até 10/Dezembro
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776)
Quanto: entrada franca
ABRAHAM PALATNIK
Quando: abertura amanhã, às 20h; ter. a sex., das 10h às 21h; sáb. e dom., das 10h às 19h; até 10/1
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 2168-1776)
Paulistano radicado nos Estados Unidos desde 1983, Vik Muniz sempre se recusou a ser chamado de artista brasileiro, sobretudo pelo longo tempo vivido no exterior. Deixou o país após levar um tiro na perna ao tentar apartar uma briga em um bar de São Paulo (um dos brigões bancou a viagem como uma espécie de indenização).
Hoje dividido entre Nova York e Rio, no entanto, nunca teve uma temporada de tanta atividade por aqui. A retrospectiva
Vik, por exemplo, atraiu 200 000 pessoas ao Masp. Agora, ele encerra o ano com um projeto ambicioso: um catálogo raisonné que abrange toda a sua produção ao longo de 22 anos. ‘Minha obra é mais evolucionária do que revolucionária. Costumo trabalhar em séries, então esse livro mapeia uma produção enorme’, afirma Muniz, sobre a decisão de lançar um inventário de suas criações aos 47 anos.’Pretendo, claro, fazer os volumes 2, 3, 4…’
Olga - After Picasso - 275x180cm
Em edição luxuosa, Vik Muniz: Obra Completa 1987-2009 (Editora Capivara, 710 páginas, 198 reais), nas livrarias a
partir de terça (1º), apresenta 1 200 trabalhos, em tratamento costumeiramente reservado a homenagens póstumas de mestres como Portinari e Tarsila do Amaral. O editor Pedro Corrêa do Lago, organizador do volume, conta que o processo de reunião das obras levou mais de um ano.’Pesquisamos no estúdio dele em Nova York, em galerias e coleções particulares’, explica. ‘O livro funciona tanto como síntese de uma trajetória quanto como uma introdução para leigos.’ A principal qualidade de Vik Muniz: Obra Completa 1987-2009 consiste em resgatar trabalhos dos primeiros anos de carreira, quando o artista ainda se dedicava a esculturas, objetos e instalações experimentais, substituídos posteriormente pela fotografia. ‘O bacana de olhar para trás é descobrir como aquelas primeiras coisas se refletem na produção posterior’, afirma Muniz. Foi com a série Crianças de Açúcar, da metade da década de 90, que encontrou seu estilo consagrado: compõe imagens com matérias-primas inusitadas (chocolate, diamantes,
papel picado, sucata), algumas delas com referências a pinturas célebres da história da arte, e só então as fotografa. ‘Cada material me intriga de uma maneira.Tem coisas que fiz em quinze minutos, outras tomaram seis meses. A do chocolate era desafiadora: eu tinha de fazer em uma hora, senão secava.’ Pelo impacto imediato, esses trabalhos foram considerados fáceis demais por alguns críticos. Muniz reclama do elitismo do circuito artístico e
diz que, além do espectador sofisticado, tenta alcançar não iniciados. ‘Quero conversar com todos de forma inteligente, não apenas falar bonito para poucos.’
Vik segue ativo. Acaba de fotografar 1 200 pessoas em um ginásio para uma campanha do Ministério da Saúde sobre o Dia Mundial da Luta contra a Aids, que deve entrar em circulação a partir de terça (1º). Em 2010, lançará um documentário sobre o Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e publicará um livro infantil. Exibe ainda na Galeria Fortes Vilaça a mostra Versos, já apresentada em Nova York, na qual registra o fundo de telas emblemáticas como As Senhoritas de Avignon, de Picasso, e Noite Estrelada, de Van Gogh. Para completar o bom momento, no último dia 12 a casa de leilões Sotheby’s levou a martelo uma foto de Marilyn Monroe, arrematada por 200 000 dólares, um recorde em sua carreira. ‘Foi um ano formidável’, resume.
Aberta até dia 13 de Dezembro no Museu de Arte Brasileira da FAAP, pela primeira vez em São Paulo, a exposição Vertigem d´OSGEMEOS, que são precursores no cenário nacional do grafite. Os irmãos idênticos Gustavo e Otávio promovem o melhor diálogo dessa técnica com as artes em instalações, pinturas, esculturas e objetos sonoros.
A mostra reúne obras que traduzem o sensível olhar da dupla sobre o cotidiano brasileiro, da periferia urbana ao folclore nordestino, em imagens surrealistas que remontam uma atmosfera de sonho, por meio de cores alegres e personagens melancólicos.
Desenhadas por um lirismo ingênuo, figuras de pele amarelada, com narizes largos e olhos espaçados, surgem em painéis de madeira vestindo roupas coloridas em paisagens igualmente estampadas. São visões poéticas que descrevem a realidade dos dois artistas. Elas explicam o singular processo de trabalho d’OSGEMEOS, irmãos e cúmplices na estética e no ofício.
Além dos trabalhos expostos em mostras realizadas anteriormente nas cidades de Curitiba e do Rio de Janeiro, “Vertigem” apresenta, também, uma série de novas obras especialmente concebidas por eles para o espaço do MAB.
Sob o patronato do “Grupo Comolatti”, o “Museu a Céu Aberto”, James Lisboa e Valério Pennacchi, convidam para o lançamento da monografia “Fulvio Pennacchi: seu tempo, seu percurso” bem como abertura de uma exposição de caráter cronológico a realizar-se no dia 23 de novembro de 2009 às 19h.
Fulvio Pennacchi - Auto-retrato
JAMES LISBOA ESCRITÓRIO DE ARTE
Rua Dr. Melo Alves, 397 – Jardins
São Paulo – SP
às 21h00
RSVP: (11) 3063-0011
Exposição
FULVIOPENNACCHI seu tempo, seu percurso.
Curadoria
Valério Pennacchi
Data
Abertura: 23/11/2009 às 19h
Período: 24/11/2009 até 03/12/2009
das 10h às 17h
Local
James Lisboa Escritório de Arte
R. Dr. Melo Alves, 397 – Jardins
São Paulo – SP
O Leiloeiro Oficial James Lisboa comanda na noite de hoje às 20h um leilão beneficente em prol do lar das crianças da CIP que acompanha um jantar com participação especial da concertista Clara Sverner. O evento acontece no Buffet França na Av. Angélica, 750, Higienópolis.
Informações e compra de convites: tel: (11) 2808-6225/6226 – lardascriancas@cip.org.br com Eve Pekelman ou Bea Wajnberg.
Um dos pioneiros da arte cinética no Brasil, Abraham Palatnik que hoje é referência com suas obras que são de grande importância no cinetismo, atualmente vive no Rio de Janeiro onde vem desenvolvendo trabalhos que unem pesquisa visual e rigor matemático, buscando com extrema liberdade transgredir das técnicas tradicionalmente conhecidas unindo tecnologia e arte para realizar obras que criam movimentos e jogos de luzes que nos proporcionam essencialmente o contato com o inesperado projetando-se para além da retina, com um olhar atento podemos retirar toda sua potencialidade poética.
Biografia – Abraham Palatnik (Natal, 19 de fevereiro de 1928 – Atualmente vive no Rio de Janeiro)
Entre 1928/1932, Abraham Palatnik de familia com origem judia e russa vive em Natal, Rio Grande do Norte, entre 1932/1947 transfere-se com a familia para Israel onde estudou pintura e história da arte no ateliê de Aron Ani, escultura com Sternshus e estética com Dr. Shor. na mesma época em que fazia um curso de motores a explosão (nas escolas Herzlla e Montefiori em Tel Aviv, esta última de especialização em motores de explosão) na antiga Palestina, atual Israel.
De volta ao Brasil, em 1948, continua sua orientação estética com Mário Pedrosa e integra o primeiro núcleo de artistas abstratos do Rio de Janeiro. No ano seguinte, iniciou suas pesquisas no campo da luz e do movimento, responsáveis por seu reconhecimento como um dos pioneiros da Arte cinética. Em 1951, ter seu primeiro trabalho exposto na 1ª Bienal Internacional de São Paulo foi uma verdadeira aventura, visto que não se tratando de pintura convencional não foi aceito pela comissão e foi somente introduzido posteriormente.
W-122 - Acrilico sobre madeira - 86 x 119 cm
Integrou o Grupo Frente e participou de três das quatro mostras realizadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1955, e em Resende e Volta Redonda, em 1956. O artista produzia pinturas abstratas aliadas ao mobiliário simultaneamente aos cinecromáticos, depois passou a desenvolver objetos móbiles cinéticos e relevos com papéis que remetem às nossas dunas potiguares. Palatnik rompe com a pintura, formalmente, mas dá continuidade incursionando em seu discurso pictórico novos materiais e desenvolvendo novas propostas objectuais. Percursor também da Art High Tech, podemos citar como redimensionamento da pinturacesa a poética High Tech de alguns brasileiros.
Participou da 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul em 1997, em 2007 faz parte da exposição “Lo(s) Cinetico(s)”, no Centro de Arte Reina Sofia em Madrid/Espanha. Hoje vem exibindo seus trabalhos pelo mundo, é reconhecido internacionalmente e considerado o “pai” do cinetismo.
Cronologia
1928/1932 – Vive em Natal, Rio Grande do Norte
1932/1947 – Transfere-se com a família para Israel
1942/1945 – Faz curso de especialização em motores de explosão na Escola Montefiori, Tel Aviv, Israel
1943 – Freqüenta os estúdios do pintor Haaron Avni e do escultor Sternshus; se torna aluno de estética de Shor, em Tel Aviv, Israel.
1943/1947 – Estuda pintura, desenho, história da arte e estética no Instituto Municipal de Arte, Tel Aviv, Israel
1948 – Retorna ao Brasil e reside no Rio de Janeiro. Conhece o crítico Mário Pedrosa (1900 – 1981), de quem passa a receber orientação estética
ca.1948 – Levado por Almir Mavignier, orientador do ateliê de pintura, conhece o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro
1949 – Inicia pesquisa no campo da luz e movimento
1951 – Dedica-se à solução de problemas técnicos industriais
1951 – Desenvolve processos de controle visual e automático em indústrias
1951 – Inventa várias máquinas e dispositivos de uso industrial e obtém patentes
1951 – Cria seu primeiro Aparelho Cinecromático
1954/1956 – Integra o Grupo Frente, no Rio de Janeiro
1955 – Projeta móveis modernos
1962 – Inventa um jogo de percepção O Quadrado Perfeito, e obtém copyright
1964 – Cria os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos Objetos Cinecromáticos
1988 – Participa, como convidado, do concurso Uma Escultura para o Mar de Angra, promovido pela secretaria de Turismo do Rio de Janeiro
2002 – Recebe medalha do mérito Alberto Maranhão do Governo do Rio Grande do Norte
2002 – Lançamento do vídeo O Mundo da Arte – Abraham Palatnik – A Arte do Tempo, Documenta Vídeo Brasil, direção Carlos Cavalcanti.
Atualizado em 08/07/2009
Fonte: Itaú Cultural
1928/1932 – Vive em Natal, Rio Grande do Norte
1932/1947 – Transfere-se com a família para Israel
1942/1945 – Faz curso de especialização em motores de explosão na Escola Montefiori, Tel Aviv, Israel
1943 – Freqüenta os estúdios do pintor Haaron Avni e do escultor Sternshus; se torna aluno de estética de Shor, em Tel Aviv, Israel.
1943/1947 – Estuda pintura, desenho, história da arte e estética no Instituto Municipal de Arte, Tel Aviv, Israel
1948 – Retorna ao Brasil e reside no Rio de Janeiro. Conhece o crítico Mário Pedrosa (1900 – 1981), de quem passa a receber orientação estética
ca.1948 – Levado por Almir Mavignier, orientador do ateliê de pintura, conhece o Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro
1949 – Inicia pesquisa no campo da luz e movimento
1951 – Dedica-se à solução de problemas técnicos industriais
1951 – Desenvolve processos de controle visual e automático em indústrias
1951 – Inventa várias máquinas e dispositivos de uso industrial e obtém patentes
1951 – Cria seu primeiro Aparelho Cinecromático
1954/1956 – Integra o Grupo Frente, no Rio de Janeiro
1955 – Projeta móveis modernos
1962 – Inventa um jogo de percepção O Quadrado Perfeito, e obtém copyright
1964 – Cria os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos Objetos Cinecromáticos
1988 – Participa, como convidado, do concurso Uma Escultura para o Mar de Angra, promovido pela secretaria de Turismo do Rio de Janeiro
2002 – Recebe medalha do mérito Alberto Maranhão do Governo do Rio Grande do Norte
2002 – Lançamento do vídeo O Mundo da Arte – Abraham Palatnik – A Arte do Tempo, Documenta Vídeo Brasil, direção Carlos Cavalcanti.
O Museu Inimá de Paula, inaugurou no dia 21 de agosto de 2009, a exposição “VIK”, do artista e fotógrafo paulistano radicado em Nova Iorque (EUA) Vik Muniz, chega a Minas Gerais após passagens por Estados Unidos, Canadá, México, Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Conhecido por sua criatividade em utilizar materiais inusitados na criação de obras que depois são registradas por meio de fotografia. Na mostra estarão expostas algumas obras como Frankenstein feito de caviar, a Medusa desenhada com macarrão e molho vermelho, crianças de açúcar, auto-retrato de confetes, a Mona Lisa de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado com geléia e o retrato de Elizabeth Taylor montado com centenas de pequenos diamantes. Destaque também para a série “Pictures of Garbage”, com obras realizadas a partir de lixo (21/08/09 a 02/11/09).
Informações: Museu Inimá de Paula – R. Bahia, 1.201 – Centro – CEP 30160-011 – Belo Horizonte, MG – Tel.: (31) 3213-4320 e 3222-9798 – museu@inima.org.br. Horário de funcionamento: terça, quarta e sexta 10h às 19h, quinta 12h às 21h, sábado 10h às 19h, domingo 10h30 às 17h. Aberto aos domingos e feirados. Preço: R$10,00 (inteira), R$5,00 (meia), entrada franca para menores de 10 anos ou maiores de 60 anos.
Murilo Mendes, poeta mineiro escreveu em seu poema-homenagem, publicado em 1959, uma frase que parece sintetizar a obra do amigo Oswaldo Goeldi (1895-1961): “Gravas qualquer solidão”. Também lembrado em versos de Carlos Drummond de Andrade, o grande gravador carioca ganha uma retrospectiva na Caixa Cultural do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Composta de sessenta trabalhos, Luz Noturna reúne as características mais marcantes da carreira de Goeldi. A solidão evocada por Mendes e a sombra da morte sobressaem em cenários de ruas vazias e becos escuros – influência do expressionismo, movimento com que ele teve contato na adolescência, quando viveu na Suíça. Ladrões, prostitutas, urubus, mendigos e sobretudo pescadores são personagens recorrentes nessas obras. Outra inspiração essencial para seu universo era o escritor russo Fiodor Dostoievski, de quem ilustrou as edições brasileiras de diversos romances.
Caixa Cultural – Galeria Vitrine da Paulista Avenida Paulista, 2083 (Conjunto Nacional), 3321-4400, Metrô Consolação. Terça a sábado, 9h às 21h; domingo e feriados, 10h às 21h. Grátis. Até 20 de setembro.