Ismael Nery
Pintor, desenhista, ilustrador, cenógrafo,
poeta, filósofo e teólogo
Belém do Pará, 1900 - Rio de Janeiro, 1934
«... Nery achava que muitas intenções da pintura já estavam
realizadas definitivamente; por exemplo,
a primeira vez que viu Tintoretto, achou inútil continuar a pintar...»
Murilo Mendes in O ESTADO DE SÃO PAULO; 01.06.1948.
Num primeiro momento Nery corresponde à descrição dos polivalentes artistas do «quattrocento» italiano. Tal multiplicidade de objetivos, pautados por um desassossego proverbial, é provavelmente oriunda dos diferentes níveis de cognição e proficiência com que absorveu o cubismo e os ensinamentos embutidos nas práticas da «Escola de Paris» (Paris, 1920), o expressionismo alemão; a pintura metafísica italiana e posteriormente o surrealismo (Paris, Chagall, Breton; 1927). A essa cornucópia artística adicionou suas propostas filosóficas para as quais o pensador, poeta e crítico de arte Murilo Monteiro Mendes cunhou o termo «Essencialismo», de fundamentação católica e neo-escolástica (Leão XIII).
Voltando definitivamente para o Brasil (1929) continuou privilegiando uma linguagem pictórica de orientação internacional, pois era contrário a qualquer manifestação nacional ou regional.
Apesar de esquecido por mais de trinta anos, foi resgatado e devidamente reconduzido à ribalta, lugar de honra no modernismo brasileiro. Durante seus 33 anos de vida, participou somente de 3 exposições individuais e 4 outras, coletivas. A partir de VIIIa. Bienal de São Paulo (1965) sua obra foi revitalizada, lembrada e homenageada por 127 exposições além de dezenas de importantes referências bibliográficas.
Fonte:
Itaú Cultural
Ismael Nery